quarta-feira, 23 de agosto de 2017

“Movimento e Aprendizagem”!



Eu tenho lido muitos artigos de pesquisa ultimamente que continuam dizendo repetidamente: as crianças aprendem melhor quando se movem. E isso faz sentido para mim. Todos conhecemos os benefícios do exercício, e percebo uma enorme diferença de engajamento e motivação quando incorporo movimento nas minhas sessões de treinamento auditivo, linguagem e fala.

A boa notícia é que adicionar atividade física em suas sessões não significa necessariamente tempo de preparação extra para você. Na verdade, isso poderia significar menos - e você pode tirar uma pausa de alguns dos jogos de tabuleiro que você joga várias vezes ao dia.

Aqui estão algumas maneiras divertidas e fáceis de incorporar o movimento nas sessões:

Associar um movimento com um som alvo. Por exemplo, exponha cartões de imagem que envolvam o singular e o plural. Se o objetivo é rotular objetos plurais, seu paciente pode dizer o / s / final e, simultaneamente, realizar um alongamento com uma parte dos braços.

Ao trabalhar com tempo verbal, treine os verbos que representam “movimento” - correr, andar, pular. Você com certeza terá sucesso na sua terapia!

Para objetivos de consciência fonológica, peça ao seu paciente, por exemplo, que dê três pulos para cada sílaba em uma palavra. Uma palavra de três sílabas significa três pulos! Você também pode elaborar um quadro com várias rimas e associar uma corrida em busca das rimas.

Uma vez que você começa a incorporar atividades baseadas em movimento em suas sessões, mais ideias fluirão! E eu adoraria ouvir o que funcionou melhor para você na seção de comentários abaixo!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Processamento auditivo em gagos


A fluência verbal pode ser definida como a fala de fluxo contínuo e suave decorrente de uma integração harmônica entre os processamentos neurais envolvidos na linguagem e no ato motor.

Para que a fala seja fluente os sistemas simbólicos e de sinais, devem estar equilibrados temporalmente antes que a mensagem gerada chegue ao córtex motor. Se estes sistemas desequilibram-se o fluxo da fala é temporariamente rompido, gerando as disfluências.

Assim, a disfluência é um distúrbio que ocorre no momento da produção da fala, na qual o falante se depara com um impedimento que o impossibilita, momentaneamente, de produzir a palavra que deseja falar.

Existe uma redução na habilidade de produção dos padrões de percepção auditiva em indivíduos gagos, quando comparados aos não gagos. A imprecisão temporal na percepção de fala pode levar a momentos de disfluência e a diminuição das habilidades de processamento pode estar relacionada à incapacidade de manutenção da fala fluente.

Denomina-se processamento auditivo (PA) o conjunto de habilidades específicas das quais o indivíduo depende para interpretar o que ouve. Quando o indivíduo perde parcialmente ou totalmente a função da análise das imagens auditivas, estamos diante de um distúrbio do processamento auditivo.

O PA pode ser um dos fatores que contribuem para a produção do discurso disfluente no nível da produção da sílaba. A relação entre a fluência verbal e a alteração do processamento auditivo não é um fenômeno relacionado somente à gagueira ou não gagueira, mas também um fenômeno normal de fluência e não fluência.

Existe a hipótese de que os indivíduos com gagueira possuem alteração na dominância cerebral da função da linguagem. Investigações realizadas sobre o desempenho das orelhas direita e esquerda em testes comportamentais do PA em indivíduos gagos revelam que a orelha direita geralmente apresenta melhor desempenho do que a orelha esquerda nos diferentes testes comportamentais com sons verbais (Andrade et al., 2008).

Desta forma, é imprescindível que o Fonoaudiólogo inclua a avaliação do Processamento Auditivo entre as avaliações visto que há evidências científicas de alterações do processamento auditivo associadas a gagueira.




ANDRADE, Adriana Neves deGIL, DanielaSCHIEFER, Ana Maria  and  PEREIRA, Liliane Desgualdo. Processamento auditivo em gagos: análise do desempenho das orelhas direita e esquerda. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [online]. 2008, vol.13, n.1, pp.20-29.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A era dos transtornos




Evidencia-se que o processo de aprendizagem da linguagem escrita é um fenômeno complexo que envolve uma multiplicidade de fatores – culturais, sociais, políticos, educacionais, subjetivos etc. – e que jamais pode ser reduzido a uma questão de natureza simplesmente biológica. Dessa maneira, ratifica-se a concepção contra-hegemônica de que a escrita constitui um fenômeno conceitual singular, de tal modo que as diversidades não devem ser vistas, a priori, como sinais ou sintomas de um Transtorno Funcional Específico (TFE), mas como indícios das singularidades no processo de apropriação da escrita.

Entende-se que a manutenção de uma concepção de um determinismo biológico para as dificuldades na aprendizagem ou domínio da escrita – e até mesmo o próprio conceito de TFE -, na verdade envolve uma questão paradigmática. É preciso considerar que uma construção teórica sustentada por um paradigma nada mais é do que uma hipótese e, portanto, não pode ser arrolada como a verdadeira natureza do real. O fato é que os paradigmas passaram a se instituir como verdadeiras doutrinas acadêmico-científicas, prevalecendo numa sociedade aquele definido pela ciência de maior eloquência política. E assim se perpetuam nos meios acadêmicos, médico e escolar os processos de patologização¸ justamente porque escamoteado nas teorias formuladas por essas ciências de maior eloquência esteve, e permanece, um sujeito ideal – perfeito, abstrato e universal.

E assim vivemos, a “Era dos Transtornos”, um tempo em que os sujeitos são despossuídos de si mesmos e enredados na teia de diagnósticos-rótulos-etiquetas antigos, novos ou reinventados:

“Menino Maluquinho não existe mais, está rotulado e recebendo psicotrópicos para TDAH; Xaveco não vive mais nas nuvens, aterrissou desde que seu Déficit de Atenção foi identificado; Cebolinha está em treinamento na mesma cabine e nas mesmas tarefas usadas para rotulá-lo como portador de Distúrbio de Processamento Auditivo (DPAC) e assim está em tratamento profilático de dislexia que terá com certeza quando ingressar na escola; Cascão é objeto de grandes debates no comitê que está elaborando o DSM V, com divergências se ele sofreria de TOCS (Transtorno Obsessivo Compulsivo por Sujeira) ou de TFH (Transtorno de Fobia Hídrica), mas tudo indica que chegarão a um acordo e os dois novos transtornos recém-inventados serão lançados no mercado, pois quanto mais transtornos melhor.” (Moysés MA, Collares CAL, 2013)

Diante de tal patologização, a atuação fonoaudiológica educacional convoca a elaboração de uma proposta de intervenção sustentada em princípios e procedimentos que contribuam para que as instituições educacionais brasileiras cumpram, o mais efetivamente possível o seu papel social, constituindo-se como escolas verdadeiramente inclusivas, cujos princípios orientem a Educação do século XXI, sob a perspectiva do direito à diversidade, à identidade cultural e à autonomia.



Referências:

Marchesan IR, Silva HJ, Tomé MC (orgs). Tratado das Especialidades em Fonoaudiologia. 1ª Ed [Reimpr.]. São Paulo: Roca, 2014.

Moysés MA, Collares CAL. Medicalização o obscurantismo reinventado. In: Collares CAL, Moysés MA, Ribeiro MC (org.). Novas capturas, antigos diagnósticos na era dos transtornos. São Paulo: Mercado de Letras; 2013b, p. 41-65.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Tema da semana!




Esta semana o blog retorna com a sua programação normal, com discussão semanal de temas relacionados a linguagem, fala, processamento auditivo, educação e neurofibromatoses!

Confira o que será abordado esta semana:

17/08/17: A Era dos Transtornos

Abraços!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Curso de Aprimoramento em Linguagem Oral e Escrita



Nos dias 10 e 11 de junho aconteceu em Belo Horizonte, na sala de convenções Guimarães Rosa do Hotel Ramada Encore, o curso de Aprimoramento em Linguagem Oral e Escrita ministrado por mim e organizado pela FonoAprimorar Cursos, empresa que vem se destacando em Belo Horizonte pela qualidade dos cursos oferecidos.

Os alunos contaram no sábado com um aprimoramento sobre aquisição e desenvolvimento de linguagem oral e escrita, reforço sobre os métodos de avaliação em linguagem mediada pela escrita e tiveram uma aula sobre a inter-relação do processamento auditivo no desenvolvimento de linguagem. Ainda no sábado aprenderam a importância e como montar um programa terapêutico com base em metas SMART.

No domingo, as aulas tiveram um olhar para a aprendizagem de estratégias terapêuticas com base em casos clínicos envolvendo transtorno de fala, distúrbios de aprendizagem e distúrbio do processamento auditivo. As estratégias terapêuticas compartilhadas tiveram um olhar para a estimulação do processamento auditivo para se obter ganhos na fala e aprendizagem.

O curso contou com fonoaudiólogos de Belo Horizonte e de outras cidades como Ipatinga, Ibirité e Pedro Leopoldo.

Claro que embora eu tenha compartilhado muitos conhecimentos, também aprendi muito com esta turma TOP!


Sucesso e até os próximos cursos!

terça-feira, 23 de maio de 2017

XV Jornada Acadêmica de Fonoaudiologia da PUC Minas




Na última semana, entre os dias 18 e 19 de maio, aconteceu no Museu de Ciências Naturais da PUC-Minas a XV Jornada Acadêmica de Fonoaudiologia.

O evento contou com apresentações dos próprios alunos de fonoaudiologia e também com palestras de diversos outros profissionais (fonos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, etc).

Tive a oportunidade de ver a palestra sobre “Intervenção comportamental intensiva em crianças com transtorno do espectro autista” e também o relato de vida da jornalista “Andréa Werner” que é mãe do Theo que tem autismo (que foi fantástica!).

Além disso compartilhei conhecimentos sobre “Treinamento auditivo” desde as primeiras pesquisas realizadas no Brasil até os dias atuais.

Sucesso aos alunos da Fono da PUC Minas!


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Dica de aprimoramento em linguagem!


Hoje a dica é para o curso que a Aprimorar Fonoaudiologia está organizando! O curso acontecerá dias 10 e 11 de junho e tem um programa bastante interessante para quem quer se atualizar na área da linguagem! Segue abaixo mais algumas informações! 


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