sexta-feira, 29 de abril de 2016

Dica especial: CONADEPS – Congresso online e gratuito para profissionais da saúde


Há aproximadamente 15 dias atrás divulguei os cursos gratuitos e online da ASHA que é uma associação renomada de fonoaudiólogos dos EUA (Reveja o post). Hoje a dica é para o CONADEPS, Congresso Nacional de Desenvolvimento Estratégico para Profissionais da Saúde, que acontecerá entre os dias 6 e 12 de junho de 2016. A proposta do congresso é permitir ao profissional da saúde criar novas estratégias, ajudar em sua atuação profissional e a conquistar maior reconhecimento. A inscrição é online e o congresso é totalmente gratuito. Mais informações diretamente no site: (http://www.conadeps.com.br/


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Primeiros passos para o treinamento do mecanismo de discriminação sonora em crianças menores de 10 anos



Ano passado comecei um novo desafio: aprender a tocar violino! Sempre tive vontade de tocar algum instrumento, mas os estudos e a correria do dia-a-dia postergaram este desejo. A partir do primeiro contato com o violino percebi que aquele conteúdo das aulas de música poderiam me ajudar nas terapias de processamento auditivo, principalmente nas terapias que envolviam o mecanismo fisiológico de discriminação sonora. Há no mercado vários materiais ótimos para estimulação deste mecanismo importantíssimo, mas eu particularmente, tinha muita dificuldade de utiliza-los nas primeiras terapias com pacientes menores de 10 anos. Como no primeiro contato com o paciente eu o conhecia muito pouco, eu acabava começando a intervenção com um estímulo sonoro muitas vezes muito difícil, o que acabava frustrando muito o paciente pela dificuldade que era para realizar a atividade. A partir do momento que comecei a estudar violino, comecei a utiliza-lo e percebi que o paciente ficava mais motivado e eu conseguia passar mais “emoção” e intenção para a atividade. Com o violino eu conseguia ajustar os sons “na hora”, conseguia deixar a tarefa mais fácil ou mais difícil a partir das respostas do paciente, diferente de utilizar os materiais disponíveis no mercado, que já tem a configuração fixada. Veja como realizei o treino do mecanismo fisiológico de discriminação de frequência com um paciente com 7 anos nas primeiras sessões:

1) Primeiro ensinei ao paciente os conceitos de “grosso” para os sons graves e o conceito de “fino” para os sons agudos. Fiz isso por meio de um desenho de um “lápis grosso” e um “lápis fino”, no qual o paciente tinha que colorir.


2) Aprendido os conceitos de “fino” e “grosso” este paciente tinha que desenhar em uma folha A4 os conceitos aprendidos.

3) Com os conceitos fixados eu apresentei o som mais grave e o mais agudo do violino e o paciente tinha que apontar no desenho o “lápis grosso” ou o “lápis fino”. Tarefa que envolve principalmente o hemisfério direito do cérebro.

4) Quando o paciente conseguiu realizar com êxito as etapas acima eu solicitei que nomeasse o som ouvido em som “grosso” ou som “fino. Tarefa que envolve nomeação e estimula a comunicação inter-hemisférica e também o hemisfério esquerdo.

* As informações fornecidas neste blog devem servir apenas de orientação geral para um fonoaudiólogo e jamais devem ser substituídas pela consulta com um fonoaudiólogo habilitado no diagnóstico e intervenção para o distúrbio do processamento auditivo.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Neurofibromatose tipo 1: doença pouco conhecida, mas frequente




Até 2008 eu não sabia nada sobre as neurofibromatoses, até que comecei a participar do grupo de pesquisas no Centro de Referência em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG, o qual eu participo até hoje. A neurofibromatose tipo 1 (NF1) é uma doença frequente, causada pelo defeito em um único gene, apresenta incidência de 1/3000 nascidos vivos e é MAIS FREQUENTE que outras doenças como a Fibrose Cística (1/10.000) ou o Diabetes mellitus tipo 1 (1/13.000). A alteração no gene é responsável pela incapacidade de síntese de uma proteína chamada neurofibromina, importantíssima para a modulação da atividade de crescimento e diferenciação das células. A NF1 é uma doença multissistémica, com comprometimento do sistema nervoso central, oftalmológico, cardiovascular e endócrino. Requer acompanhamento médico, psicológico, fonoaudiológico, nutricional e pedagógico. Atualmente existem diversos centros de estudo e de atendimento no mundo. Em Belo Horizonte, como citei acima, existe o Centro de Referência em Neurofibromatoses (CRNF), com atendimento gratuito e com profissionais com experiência. Consultas no CRNF podem ser agendadas pelos telefones: (31) 34099560 ou 34099199. Mais informações sobre a NF1 podem ser encontradas no blog do Dr. Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues (http://lormedico.blogspot.com.br). 


terça-feira, 26 de abril de 2016

Como ajudar os pais a ampliar o vocabulário de seus filhos?




Vários fonoaudiólogos já devem ter se deparado com situações que envolvem pais angustiados solicitando ajuda para ampliar o vocabulário dos “baixinhos”! O que é preciso orientar aos pais é que TODA situação é um momento oportuno para a estimulação! Durante a alimentação, durante o banho, durante a visita de um familiar, a visita ao zoológico, todos esses momentos são realmente “momentos” para introduzir novas palavras e novos conceitos! Lembro que há 3 anos atrás fui atender um paciente de 4 anos a domicílio e a principal queixa dos pais era que a criança tinha um vocabulário muito restrito a algumas palavras. Ao observar o contexto durante alguns dias percebi que a família criava poucas situações em que a criança precisava solicitar ou escolher algo. A criança nem solicitava, mas levavam um copo de água, levavam ao banheiro, colocavam um casaco... A criança no final não precisava falar nada, pois tudo chegava até ela sem esforço. Os pais queriam orientações de livros, CDs de música e vídeos para ampliar o vocabulário. Sim, livros, CDs de música e vídeos são importantíssimos também para ampliar o vocabulário dos pequenos, mas por que não olhar também para as situações “simples” do dia-a-dia? As orientações iniciais que passei a eles foi que vissem os momentos diários como forma de ampliar o vocabulário! Por que não durante a alimentação apresentar as frutas para a criança e ajudá-la a nomear? Por que não durante a ida a pracinha mostrar a criança os meios de transporte que são vistos pela rua? Por que não identificar e nomear os animais encontrados no ambiente doméstico (por exemplo: gato, cachorro, passarinho...)? Pequenas ações diárias no final resultam em um grande desenvolvimento do repertório lexical!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Treinamento auditivo: material para estimulação da habilidade de localização sonora



O sistema auditivo tem uma incrível habilidade de identificar a fonte de sons ao seu redor. Quando você dirige, por exemplo, você tem a capacidade de identificar de onde vem o som de uma moto, se este vem do lado direito ou esquerdo. Para nós fonoaudiólogos, esta habilidade é chamada “localização sonora”. Algumas pessoas apresentam dificuldades de localizar a fonte sonora e então precisam ser estimuladas quanto a esta habilidade. A sugestão de material que gosto bastante de utilizar, principalmente com meus pacientes pré-adolescentes, é o vídeo “Corte de Cabelo Virtual”, que é facilmente extraído no site do “You tube”. Segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=L6ChOW5Fcrk

Uma atividade que utilizo muito é solicitar que o paciente preencha um quadro no qual ele escreve qual é a origem do som. Veja uma sugestão de quadro: 

Acontecimento
Origem do som
Porta abrindo
Atrás da pessoa
Alguém bate na porta
Atrás da pessoa
O senhor vai chamar o barbeiro
Lado esquerdo
Demonstração do som do saco
Direita, esquerda, acima da cabeça
O telefone toca
Atrás da pessoa
O barbeiro lava as mãos
Lado direito
O barbeiro começa a cortar o cabelo
Direita

Cada paciente é único, com demandas terapêuticas específicas. Portanto é provável que você tenha que ajustar a atividade ao seu paciente! Boa terapia!

* As informações fornecidas neste blog devem servir apenas de orientação geral para um fonoaudiólogo e jamais devem ser substituídas pela consulta com um fonoaudiólogo habilitado no diagnóstico e intervenção para o distúrbio do processamento auditivo.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Sinais de alerta na escola para o Distúrbio do Processamento Auditivo (DPA)


Distúrbio do processamento auditivo na escola Pollyanna Batista


Explicar ao professor quais os sinais de alerta de uma possível alteração no processamento auditivo é um papel importantíssimo do fonoaudiólogo. Atualmente estudos internacionais (1, 2) apontam que 5 % das crianças em idade escolar apresentam o diagnóstico de distúrbio do processamento auditivo central com consequências significativas para a linguagem expressiva e/ou compreensiva, e que muitos destes casos são confundidos com dislexia, autismo ou transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Seguem os sinais de alerta para orientação de professores e coordenadores de escolas:

Incomodo com ruído ou sons intensos: Deve-se estar atento ao barulho existente em sala de aula, que muitas vezes é maior do que se imagina (alunos conversando, o arrastar das cadeiras, a janela aberta que traz sons externos, etc). Crianças que ficam muito distraídas quando estão inseridas nestes locais com muito barulho e que pedem constantemente para repetir uma informação “O que?”, “Ah”, “Repete”, merecem atenção do professor para o DPA.

Atraso ou distorção na fala, como por exemplo a produção dos sons “r” e “l”: O atraso na produção destes sons pode ocorrer por outras causas, mas também por um distúrbio do processamento auditivo. Tal fato é justificado pelo fato de que não é fácil para o ouvido humano perceber a presença destes sons que, quando comparados com outros da nossa Língua, são acusticamente muito rápidos e, portanto, podem muitas vezes não ser literalmente ouvidos, percebidos e discriminados pelo ouvido.

Não consegue lembrar-se das instruções recebidas: Crianças que ouvem uma determinada informação e não cumprem parte, ou muitas vezes retornam e pedem a repetição da ordem que lhes foi atribuída merece atenção dos professores. Isso pode ocorrer por uma falha na memória ou na ordenação da informação auditiva que lhes foi atribuída. Como consequência pode-se observar uma desorganização na estruturação do texto ou mesmo na troca de letras na escrita de palavras.

Crianças desatentas: Estar constantemente ouvindo informações parece algo simples para quem não tem um distúrbio do processamento auditivo. Entretanto, para crianças com esta dificuldade, significa um esforço adicional constante que muitas vezes não se sustenta por muito tempo. Como consequência do esforço para ouvir e perceber tudo o tempo todo, geralmente o que se observa são crianças que iniciam o dia na escola com bom rendimento e que, ao longo de um determinado tempo desligam-se completamente e passam a estar no “mundo da lua”.

Dificuldades na leitura fluente de um texto, na escrita com respeito às regras de pontuação, no reconhecimento sonoro de uma sílaba átona ou tônica, na memorização de músicas: Estes são exemplos de sinais de uma criança com dificuldade em reconhecer as diferenças acústicas temporais de tempo, duração e frequência de um estímulo acústico. Isto pode ocorrer pela falta de uma boa prosódia na leitura, na fala com boa fluência, percepção do uso da pontuação, capacidade de ouvir internamente o momento da pausa e perceber sua importância na locução e compreensão de um texto.

Acredito que professores orientados contribuirão para que diversas crianças sejam diagnosticas em idade precoce, e seja inserida em um programa de intervenção planejado por um Fonoaudiólogo. Desta forma, o diagnóstico ajuda no prognóstico, ou seja, a idade e o correto ajustamento das incorreções facilitam a rápida melhora de todos os efeitos.

(1) Nunes, CL. Processamento auditivo:conhecer, avaliar e intervir. Lisboa: Papa-Letras, 2015.
(2) Iladou V, Bamiou DE, Kaprinis S, Kandylis D, Kaprinis G. Auditory processing disorder in children suspected of learning disabilities - a need for screening? Int. J. Pediatr. Otorhinolaryngol., 2009.





terça-feira, 19 de abril de 2016

Como a formação musical pode melhorar significativamente as habilidades motoras e de raciocínio



Nós geralmente assumimos que aprender um instrumento musical pode ser benéfico para as crianças, mas é mais útil do que realmente imaginamos! O estudo “Practicing a musical instrument in childhood is associated with enhanced verbal ability and nonverbal reasoning” (Link para o artigo) apontou que crianças que tem três ou mais anos de formação musical se desenvolvem melhor do que aquelas que não aprenderam a tocar um instrumento, principalmente em tarefas que envolvem discriminação auditiva e habilidades motoras finas. Elas também se saem melhores quando avaliadas quanto ao vocabulário e habilidades de raciocínio não verbal, que envolvem a compreensão e análise de informações visuais, tais como identificar relações, semelhanças e diferenças entre formas e padrões. Estas duas áreas, em particular, são bastante estimuladas pela formação musical, por isso é fascinante ver e aprender a tocar um instrumento e isso pode ajudar as crianças a desenvolver uma ampla variedade de habilidades importantes!




sexta-feira, 15 de abril de 2016

Qual linguagem você fala com pacientes e familiares?



    Imagine uma viagem a um país estrangeiro, onde as pessoas falam uma língua desconhecida. Nenhum intérprete, nenhum amigo que fale a língua e você não tem nem um aplicativo de tradução instalado no seu telefone! Quanto que você pode entender? Você certamente ficará frustrado, oprimido e com medo. Qualquer um sentiria perplexo por esta incapacidade de entender informações críticas.
    Para a maioria das famílias de pacientes com distúrbios da comunicação, a nossa linguagem profissional soa estranho para eles. Nosso mundo profissional inclui palavras como: avaliação do processamento auditivo, audiometria, SSW, fala com ruído, IPRF, imitanciometria, emissões otoacústicas por produto de distorção, distúrbio de linguagem, orelha média, orelha interna, disgrafia, treinamento auditivo acusticamente controlado, e muitas outras palavras...
    Nós discutimos tranquilamente estes temas durante todos os dias. Essas palavras “saem da nossa boca como um passe de mágica”! Para pessoas sem o nosso background, sem passar pela formação em Fonoaudiologia, considerados a maior parte dos nossos pacientes e famílias, estes termos são considerados estrangeiros. Uma família, por exemplo, pode achar que é difícil ajudar seu filho ou ente querido, se eles estão concentrando-se para compreender o que estes termos técnicos significam.
    A nossa profissão é justamente promover uma comunicação clara para todos, tornando-se assim aquela informação importante em uma linguagem simples, com base em evidências científicas, que seu paciente e família compreenderão pela primeira vez que você explicar. Ao compartilhar informações sobre distúrbios da comunicação, assumir que nem todos estão familiarizados com os nossos jargões. Ao escrever materiais para pacientes e familiares, torne a informação compreensível para a maioria das pessoas. Quando os nossos pacientes e famílias têm uma compreensão clara do diagnóstico, plano de tratamento e programação de casa, eles estão mais propensos a seguir as suas recomendações!
    O exemplo abaixo aconteceu comigo em 2010, no Centro de Referência em Neurofibromatoses, quando fui explicar o que era a avaliação do processamento auditivo para um paciente de 10 anos. Utilizei a história do “Sapato Roxo”. Veja a linguagem que utilizei, mas sempre com base em evidências científicas:

“O processo da produção de um sapato roxo é muito complexo, tem várias etapas, percorre um caminho longo, com várias estações de produção desde a chegada da matéria prima até o acabamento do sapato roxo. O sistema auditivo também é muito complexo. O som chega na orelha, percorre um longo caminho e passa por várias estações, que moldam o “som” até ele ser “compreendido” lá no cérebro. Hoje com esse aparelho que chama audiômetro, vamos ver se esse “caminho” que “sai” da orelha e chega lá no cérebro, se ele está funcionando bem! Produzir um sapato roxo demora, não é mesmo? Temos que cortar, colar, costurar, acabar o sapato roxo... A avaliação do processamento auditivo também pode demorar um pouco, pode ser que precisaremos de mais dias para terminar a avaliação... Alguma dúvida? Vamos começar a avaliação?”

    Dicas rápidas para ajudar a incorporar uma linguagem mais simples:

·         Tenha em mente que nem todos tem o seu conhecimento e seu histórico de formação;
·    Explique no máximo três conceitos de uma só vez. Este número de informações é o que geralmente as pessoas conseguem reter durante uma conversa;
·         Forneça papel e caneta para famílias de pacientes para tomar notas sobre as informações;
·         Tire um tempo para se certificar de que você explicou as informações com clareza;
·         Verifique se há perguntas, afirmando e perguntando: "Diga-me que perguntas você tem" ou "O que posso explicar melhor?".

    Na próxima vez que você se encontrar com uma família ou paciente, pense como você pode se comunicar mais claramente com eles. Uma comunicação mais clara corresponde a uma compreensão maior. Quando ensinamos os pacientes e famílias sobre, por exemplo, distúrbios da audição e linguagem, não devemos avaliar a quantidade de informações que eles conhecem! Devemos avaliar quão bem nós podemos ensiná-los!! 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

15 cursos on-line gratuitos oferecidos pela ASHA com certificado




A American Speech-Language-Hearing Association (ASHA), a mais conceituada associação de Fonoaudiólogos dos EUA, em comemoração aos seus 15 anos de existência lançou 15 cursos on-line gratuitos com certificado que podem ser cursados por qualquer Fonoaudiólogo ao redor do mundo! São aulas com profissionais feras no assunto, nos quais são oferecidos os materiais, os vídeos e a transcrição das aulas para download... e tudo isto de forma gratuita! Os cursos são mensais e o primeiro começou em junho de 2015. Até setembro ainda teremos 6 cursos! Corra, entre no site e faça sua inscrição: ASHA cursos on-line free.

Confira a agenda:
·         Abril 2016: Estratégias de avaliação e tratamento prático para estudantes do inglês com alteração de linguagem.
·  Maio 2016: Dicas para o diagnóstico diferencial do distúrbio do processamento auditivo.
·         Junho 2016: Colaboração para obter resultados positivos.
·         Julho 2016: Pacientes com implantes cocleares.
·         Agosto 2016 Opções de tratamento para as afasias.
·         Setembro 2016: Avaliação da linguagem escrita e intervenção.
  

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A paixão pela Fonoaudiologia!



A minha admiração pela Fonoaudiologia surgiu quando eu tinha 5 anos. Nesta idade precisei fazer fonoterapia para uma rouquidão persistente. Então, desde este momento cresci com a ideia de cursar o curso de Fonoaudiologia quando eu terminasse o ensino médio. Em 2005 passei no vestibular da UFMG e desde então passei a me dedicar ao curso e a todas as oportunidades de participação em projetos de extensão das mais diversas áreas da Fono. Foram muitos projetos que participei, desde os que envolviam disfagia, voz, motricidade oral e audição. O meu primeiro contato com o tema “Processamento Auditivo”, fora do ambiente de “aula”, surgiu quando desenvolvi meu projeto de monografia com a professora Dra. Stela Maris Aguiar Lemos no qual estudamos o processamento auditivo em estudantes do inglês. Foi fantástica esta experiência, na qual me direcionou olhares para um assunto extremamente importante para a aquisição e desenvolvimento de linguagem e aprendizagem. Em 2008 cruzei caminhos com o Dr. Nilton Alves de Rezende e o Dr. Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues, médicos e professores da Faculdade de Medicina da UFMG, que desenvolviam um projeto inicial no Hospital das Clínicas sobre uma doença chamada Neurofibromatose. Passei na seleção para bolsista de iniciação científica e desde este momento comecei a participar do grupo de pesquisas em Neurofibromatoses e ajudar a professora Carla Menezes da Silva com a sua pesquisa de doutorado sobre “voz e motricidade oral na NF1”. O “insight” de que os pacientes com NF1 pudessem ter distúrbio do processamento auditivo surgiu durante a minha observação dos atendimentos que os pacientes tinham grande dificuldade de prestar atenção, eu precisava repetir várias vezes as mesmas informações e eles relatavam grande dificuldade de compreender em ambientes ruidosos. Fizemos a avaliação do processamento auditivo de um paciente com 31 anos e confirmamos nossa suspeita! Os pacientes com NF1 poderiam ter distúrbio do processamento auditivo. Mas para comprovar essa afirmação desenvolvemos um projeto maior, meu projeto de mestrado, com 25 pacientes com NF1 e comprovamos que os indivíduos com NF1 tem alterações significativas no processamento auditivo associadas as alterações de linguagem e aprendizagem. A partir daí surgiu um novo desafio! Será que os pacientes com NF1 respondem a intervenção “treinamento auditivo”? Desenvolvemos um novo projeto, eu agora no doutorado, no qual treinamos 22 indivíduos com NF1 e os acompanhamos por um ano para observar se o treinamento auditivo é eficaz. Vimos com o nosso estudo que o treinamento auditivo é eficaz e que os pacientes respondem bem a intervenção. Com mais este desafio vencido, agora meu objetivo de 2016 é compartilhar com outros Fonoaudiólogos a minha experiência na avaliação do processamento auditivo, linguagem e aprendizagem, além dos meus conhecimentos relacionados ao treinamento auditivo! Espero que seja útil para a todos!

NF Conference 2015 - Monterey/Califórnia

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Pequenos gestos fazem a diferença!




Nos últimos anos me dediquei as pesquisas na Fonoaudiologia, principalmente relacionadas ao processamento auditivo e ao desenvolvimento da linguagem e aprendizagem. A partir do dia 14/04/2016, assuntos relacionados aos TESTES AUDITIVOS, PROCESSAMENTO AUDITIVO, TREINAMENTO AUDITIVO, LINGUAGEM E APRENDIZAGEM serão discutidos neste blog. Acompanhe!

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