terça-feira, 17 de outubro de 2017

Toda criança que não aprende tem algum problema?



Infelizmente, dentro da nossa cultura educacional, a criança que tem dificuldades para aprender sempre é vista como tendo algum problema em nível individual, como se ela sempre fosse a culpada pelas limitações que possa apresentar. Porém, esta crença não corresponde à verdade. Estima-se que apenas cerca de 10% das crianças possam ter algum tipo de problema intrínseco, que possa prejudicar a aprendizagem, como nos casos, por exemplo, de dislexia, discalculia, deficiência mental ou autismo. Na realidade, a maior parte das crianças que estão com dificuldades de aprendizagem podem estar refletindo problemas de outra natureza, como limitações nas oportunidades para aprender, déficits pedagógicos ou metodológicos, problemas de natureza socioeconômica e assim por diante. É importante saber distinguir os verdadeiros e os falsos problemas de aprendizagem, uma vez que eles podem se manifestar de modos semelhantes. O fonoaudiólogo educacional, juntamente com a equipe educacional, colabora com a identificação precoce dos verdadeiros problemas de aprendizagem.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O Cloze como Técnica de Diagnóstico e Remediação da Compreensão em Leitura



A deficiência em compreensão em leitura tem sido apontada como um dos principais obstáculos para a efetivação do processo de ensino-aprendizagem. Inúmeras pesquisas têm demonstrado a importância da compreensão em leitura para um desempenho escolar bem sucedido.

Alguns aspectos relacionados ao texto têm sido apontados como fatores que interferem na sua compreensão e comprometem o desempenho escolar. Entre eles, os mais frequentes são o uso de palavras incomuns, o número de sílabas utilizadas, o tamanho das sentenças, a presença de categorias gramaticais mais difíceis, a complexidade da estrutura gramatical e a complexidade das ideias nele contidas.

Vários autores chamam a atenção para as características dos leitores que seriam “dificultadoras” da compreensão da leitura. Entre elas, destacam-se as falhas no processo de decodificação, as carências de vocabulário, leitura oral pobre, deficiência de integração das informações e de memória, falta de estratégias de aprendizagem adequadas.

Outro aspecto relevante que tem sido ressaltado refere-se à falta de motivação para a leitura, outra característica frequentemente associada aos maus leitores. Verifica-se que um círculo vicioso é estabelecido, visto que aqueles que têm dificuldade para ler evitam as situações de leitura. Dessa forma, não conseguem obter a prática necessária para ler fluentemente, o que leva à diminuição da motivação e à relutância para a leitura. Tal situação ocorre em todos os níveis de escolarização.

Estudos estrangeiros têm demonstrado que a escola não tem atuado como fonte de incentivo para o desenvolvimento adequado do comportamento de ler. No Brasil a situação também não é diferente e os estudiosos da área têm chamado a atenção para o pouco que a escola contribui para o desenvolvimento do interesse pela leitura, bem como para a formação do leitor. Na maioria das vezes, a leitura feita na escola é utilizada apenas como recurso para o ensino gramatical e o treino ortográfico, predominando o distanciamento de tais práticas com o contexto da vida do aluno.

O sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita, bem como a posterior autonomia na leitura tem sido associada à interação dos pais com a escola e, especialmente, com o envolvimento deles nas práticas cotidianas de letramento. Particularmente a leitura de histórias infantis pelos pais tem se mostrado como um evento relevante para o interesse da criança por atividades de leitura e ao sucesso escolar.

No entanto, o que se observa é que as crianças passam pela escola sem ganhar o necessário domínio da leitura. Considerando que a escola é a instituição formalmente incumbida de fornecer às pessoas o acesso às diferentes fontes de informação, garantindo-lhes o necessário crescimento intelectual e experiencial, é lamentável verificar-se que tal papel não vem sendo adequadamente cumprido. Assim, a busca de soluções alternativas que melhorem a qualidade do ensino ministrado nas escolas é urgente e deve ser direcionada para a conciliação das práticas educativas vigentes com as mais recentes contribuições da ciência, com o aproveitamento de recursos que podem ser facilmente utilizados pelos professores e que sejam economicamente acessíveis.

Nessa direção, o procedimento de Cloze tem se destacado pela sua utilidade tanto para o diagnóstico como para o desenvolvimento da compreensão em leitura. Além de unir os aspectos de praticidade e economia de tempo e recursos, várias pesquisas têm demonstrado sua eficácia no alcance dos objetivos pretendidos.


O Cloze como técnica de diagnóstico e desenvolvimento da compreensão em leitura

Tal como proposto por Taylor em 1953, o Cloze consiste na organização de um texto, do qual se suprimem alguns vocábulos e se pede ao leitor que preencha os espaços com as palavras que melhor completarem o sentido do texto. A preparação do texto de Cloze segue regras que variam em função do objetivo para o qual ele será utilizado. Mais frequentemente são usados como parâmetros a omissão sistemática de palavras num sistema de razão, por ex. todo 5º, 7º ou 10º vocábulo, a supressão de uma dada categoria gramatical (adjetivos, substantivos, verbos, entre outras) ou ainda a omissão aleatória de 20% dos vocábulos do texto.

A maioria dos estudos se vale de uma dessas regras, dentre outras, para a organização do texto de Cloze, havendo também diferenças em relação a sua apresentação. Geralmente é apresentado por escrito, sendo a palavra suprimida substituída por um traço, que poderá ser de tamanho sempre igual, tal como proposto inicialmente por Taylor (1953), ou ainda por um traço proporcional ao tamanho da palavra omitida, como sugerido por Bormuth (1968), justificando que dessa forma os resultados obtidos apresentariam umíndice mais alto de correlação com outras medidas de compreensão em leitura.

Desde que foi introduzido, o procedimento de Cloze tem sido utilizado como material em pesquisas diversas. Assim, pesquisadores da área têm recorrido a esse instrumento para avaliar a influência da posição sintática das palavras na sentença, bem como o valor do conhecimento prévio na compreensão oral e escrita.

Ao lado disso, pesquisas sobre a legibilidade de textos e suas características linguísticas tem sido objeto de interesse dos estudiosos do tema e consideram que o emprego do Cloze como técnica de desenvolvimento da habilidade de leitura está pautado na visão da compreensão como um processo que exige a interação entre o leitor e o escritor do texto, na forma de um contrato implícito entre o esforço do autor para se comunicar e o do leitor em entender a mensagem. Essa natureza interativa do processo de compreensão salienta a importância das pistas gramaticais e semânticas do texto, bem como dos padrões de linguagem e do conhecimento prévio sobre o assunto. Assim, o Cloze, como tarefa que envolve tanto as expectativas do leitor como as pistas do texto, tem sido visto como um instrumento apropriado para a avaliação e o desenvolvimento da compreensão em leitura.

Abaixo deixo algumas sugestões de leitura e materiais para a intervenção:

Artigos:

Mota MMPE, Santos AAA. O Cloze como instrumento de avaliação de leitura nas séries iniciais. Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 18, Número 1, Janeiro/Abril de 2014:135-142.

Santos AAA. O Cloze como Técnica de Diagnóstico e Remediação da Compreensão em Leitura. Interação em Psicologia, 2004, 8(2), p. 217-226.

Santos AAA, Sisto FF, Noronha APP. TONI 3 - Forma A e Teste de Cloze: Evidências de Validade. Psicologia: Teoria e Pesquisa Jul-Set 2010, Vol. 26 n. 3, pp. 399-405.

Livro para intervenção:

Alliende F, Condemarin M, Chadwick M, Milicié N. Compreensão da leitura (volumes 1, 2, 3) - Fichas para o desenvolvimento da compreensão da leitura. Editorial Psy II.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Exercício download gratuito: “Memória de Elefante”


Oi!

Quero compartilhar com você Fonoaudiólogo o exercício "Memória de Elefante" para treinamento da memória verbal! É muito comum encontrarmos na nossa prática clínica casos envolvendo dificuldades de armazenamento e processamento de informações na memória verbal. Casos que envolvem dificuldades na compreensão da linguagem oral, vocabulário receptivo e expressivo abaixo do esperado, dificuldades em tarefas de consciência fonológica e de julgamento gramatical. Se você tem casos com estas características, estes exercícios poderão te auxiliar no melhor delineamento da conduta terapêutica.

Como é composto o “Exercício Memória de Elefante”?

Um pdf com as orientações, 16 variações de exercícios, 8 desafios auditivos e 8 faixas de áudios.

Qual faixa etária o “Exercício Memória de Elefante” é indicado?

O exercício "Memória de Elefante" permite que você utilize-o em crianças, adolescentes e adultos, mas antes é preciso que você leia atentamente o "Suporte Teórico e Normatizações Brasileiras" (disponível no pdf) antes de utilizá-lo com o seu paciente!

Quem pode baixar este exercício?

Este material somente será disponibilizado para Fonoaudiólogos em respeito ao código de ética da Fonoaudiologia (Seção II – Redes Sociais, art. 40, parte VI)!

Como baixar este exercício “Memória de Elefante”?

Fonoaudiólogos cadastrados no blog receberão automaticamente um e-mail para baixar as atividades de forma gratuita.

Se você deseja receber esta atividade e ainda não é cadastrado no blog faça as duas etapas seguintes:

1ª) Acesse o blog http://pollyannabatistafonoaudiologa.blogspot.com.br/ e cadastre seu e-mail (Digite seu e-mail na parte superior a direita. Instantaneamente você receberá o e-mail “activate your email subscription”. É preciso que você o abra e clique no link enviado para validar o seu e-mail).

2ª) Depois envie um e-mail para pollyannabatista@hotmail.com com o seu nome completo e número de registro no conselho de Fonoaudiologia com o referido assunto: “Exercício Memória de Elefante”. Pronto! Um e-mail com o exercício será direcionado para a sua caixa de entrada!

Desejo imensamente que este exercício possa auxiliá-lo e contribuir com o sucesso de seu paciente! Se este exercício for útil para você deixe um comentário abaixo!


Positiva terapia!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Workshop para adolescentes – Evento gratuito



Ei!

Hoje quero compartilhar com vocês o workshop para adolescentes que acontecerá sábado, dia 30/09, a partir das 10 horas!

O evento é gratuito e permitirá o adolescente vivenciar experiências significativas de aprendizagem. O evento será conduzido pela neuropedagoga Ana Paula Antoniali que é referência no assunto.

O workshop será na Rua Grão Mogol, 333, sala 24, Sion. Para participar é preciso confirmar a presença pelo telefone: 997376739 ou 25100035! 


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Dificuldade de aprendizagem: o que é e o que não é!


Você sabia que um em cada quatro brasileiros pensa que as “dificuldades de aprendizagem” são causadas por assistir muita TV? (Não são.) Uma pesquisa recente perguntou a 1.980 adultos o que eles sabem e pensam sobre as dificuldades de aprendizagem.

A maioria das pessoas concorda que a dificuldade de aprendizagem é uma preocupação crescente. No entanto, muitos ainda têm crenças equivocadas sobre o assunto. Para ajudar a esclarecer isso, aqui estão cinco fatos sobre “dificuldades de aprendizagem”.

1. Crianças com dificuldades de aprendizagem têm problemas com base “no cérebro”, e não problemas de motivação.

Em 2010, um estudo perguntou às pessoas o que elas pensam sobre as dificuldades de aprendizagem. Mais de metade disseram acreditar que é o resultado da preguiça.

Crianças com dificuldades de aprendizagem não são preguiçosas. A questão é que o cérebro delas processa a informação de forma diferente e menos eficaz. Há dificuldades para se concentrar e dar sentido a linguagem, palavras e números escritos. Simplesmente tentar mais não ajuda!

Felizmente, o cérebro em desenvolvimento tem uma qualidade conhecida como "plasticidade". Não está claro se o cérebro pode ser "re-treinado" para processar informações de forma mais eficiente. Mas com diferentes tipos de instrução e suporte, as crianças podem trabalhar em torno de suas fraquezas e aprender de maneiras diferentes.

2. Crianças com dificuldades de aprendizagem crescem para serem adultos com dificuldades de aprendizagem.

As pessoas não "superam" as dificuldades de aprendizagem. No entanto, elas têm uma boa chance de sucesso quando recebem o suporte certo. Isso inclui uma intervenção apropriada na escola e ajuda na transição da escola para a faculdade ou formação profissional. O apoio baseado na comunidade fora da escola também é útil.

3. Crianças com dificuldades de aprendizagem são "tão inteligentes quanto você e eu".

Não só isso é verdade, mas a boa notícia é que 80% das pessoas sabem disso. Muitas pessoas com dificuldades de aprendizagem têm inteligência média ou acima da média. Muitos também são muito criativos e fazem coisas incríveis na vida.

4. Nem todas as crianças com dificuldades de aprendizagem tem dislexia.

A dislexia (“dificuldade na leitura”) é o tipo mais conhecido dos transtornos de aprendizagem. Mas é apenas um dos muitos. Existem também formas de distúrbios de aprendizagem que afetam habilidades matemáticas (discalculia) ou habilidades de escrita (disgrafia). Outras preocupações, como o TDAH e problemas de comunicação social, muitas vezes ocorrem concomitantemente com o transtorno de aprendizagem.

5. Crianças com dificuldades de aprendizagem "lutam" além da escola.

Quando a palavra "aprender" aparece, é fácil assumir que a escola é o único ponto problemático.

A verdade é que muitas crianças com dificuldades de aprendizagem também têm dificuldades com as habilidades sociais. Algumas têm problemas para ler a linguagem corporal. Outros acham difícil seguir conversas ou controlar seu comportamento impulsivo. As dificuldades de aprendizagem também afetam a vida diária, como se manter organizado, administrar dinheiro e ler mapas e relógios.


Se o seu filho tiver dificuldades de aprendizagem, provavelmente você sabe muito bem o que eu acabei de explicar. Você também percebe que outras pessoas não sabem tanto sobre dificuldades de aprendizagem quanto você esperaria. Enfim, as dificuldades de aprendizagem podem não ser tão visíveis quanto outros problemas de saúde, mas são REAIS!


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Edutech BH - 1ª Edição



Olá Fonos, Pais e Amigos que acompanham o blog!

Hoje quero compartilhar com vocês sobre o EduTechBh que acontecerá no dia 30/09, sábado, das 9 às 12 h aqui em Belo Horizonte!

O EduTechBH é um encontro para pais, educadores e crianças discutirem e vivenciarem o encontro da Tecnologia com a Educação. Serão palestras de 15 minutos com especialistas em Educação e Tecnologia, e diversas oficinas de 50 minutos nas áreas de Robótica, Programação de Computadores, Língua Inglesa, Ciência e Tecnologia e Incentivo à Leitura.

Confira algumas palestras do evento:

1) O Futuro da Educação: robótica, pensamento computacional e atitude maker 

2) Os efeitos dos Jogos Violentos nas crianças e jovens 

3) Educação e Criatividade: O ensino da robótica como linguagem de prototipação de ideias


Haverá também oficinas e clube de leitura! 

No link www.edutechbh.com.br você poderá ter mais informações e acesso a programação completa!


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Técnica da janela



A técnica da janela pode ser utilizada para escolares de todas as idades e com níveis variados de dificuldades de leitura. A técnica é realizada por meio de uma regra, que tem um espaço em branco/lacuna e uma faixa de papel que vai passando pela linha do texto a ser lido. Para pacientes com dificuldades na leitura de sílabas, sugere-se inicialmente que a técnica seja utilizada dentro de frases e, posteriormente, em textos. Se o paciente apresentar um padrão de leitura silabado, o terapeuta deverá “abrir” o espaço da regra para visualizar apenas as sílabas, posteriormente fechar e abrir a lacuna e solicitar a leitura da palavra como um todo. Se o paciente apresentar dificuldade na decodificação de palavras (palavras de baixa frequência, irregulares e/ou palavras com sílabas complexas), o terapeuta deverá “abrir” o espaço da régua e solicitar a leitura das palavras ao longo do texto. No caso do paciente apresentar velocidade lentificada de leitura, poderá “abrir” o espaço da régua para visualizar um conjunto de palavras, dependendo da dificuldade do paciente, abrindo um conjunto de duas, três ou quatro palavras. Conforme a velocidade e a precisão da leitura aumentar, o terapeuta poderá “abrir” o espaço da régua para visualização de frases, até que o paciente não necessite mais do apoio.

Régua para treino de fluência de leitura.

*Estas orientações/informações deverão ser utilizadas por um fonoaudiólogo e jamais deverão ser utilizadas sem a orientação deste profissional.

Fonte: Planos Terapêuticos Fonoaudiológicos (volume 2), p. 232, Pró-Fono, 2015.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A importância das funções executivas em casa e na escola

Olá!

Hoje quero compartilhar com você um infográfico sobre as funções executivas e sua importância em casa e na escola!

Se você deseja recebe-lo em alta resolução basta me encaminhar um email: pollyannabatista@hotmail.com

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domingo, 10 de setembro de 2017

Desenvolvimento do cérebro e a Neurofibromatose



Pesquisadores descobriram que em algumas pessoas com NF1, partes do cérebro têm uma forma diferente e podem ser "conectadas" de uma maneira diferente. Comparado com um cérebro sem NF, um cérebro com NF pode ter mudanças nas conexões entre células cerebrais chamadas neurônios e uma quantidade e distribuição diferentes de uma substância chamada neurotransmissores. Um neurotransmissor permite que os neurônios se comuniquem uns com os outros para transferir informações. Ao fazê-lo, eles ajudam a regular uma ampla gama de funções psicológicas e físicas, incluindo emoção, movimento, aprendizado e memória.

Muitas proteínas são críticas para o desenvolvimento do cérebro. A neurofibromina é uma dessas proteínas essenciais. O gene NF1 fornece as instruções para fazer neurofibromina. Embora se saiba que a neurofibromina é importante no desenvolvimento do cérebro e no processo de fiação antes e depois do nascimento, não se entende exatamente como ela atua ao certo. Atualmente, pesquisadores realizam pesquisas para entender melhor o papel da neurofibromina no desenvolvimento normal do cérebro. Sabe-se que a identificação precoce da NF1 e a subsequente intervenção podem ajudar no desenvolvimento do cérebro após o nascimento.

Essas "fiação" e diferenças estruturais no cérebro podem resultar em uma variedade de dificuldades.

Pessoas com NF1 podem ter desafios nas seguintes áreas:

1) Percepção visual

2) Linguagem

3) Habilidades motoras

4) Atenção

5) Comportamento

6) Função executiva

7) Habilidades sociais

Nos próximos posts vou falar mais sobre: Linguagem, Atenção e Funções executivas!

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Até!




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Consciência fonológica, consciência fonêmica e fonética: o que você precisa saber


A fonética, a consciência fonológica e a consciência fonêmica fazem parte da leitura precoce. Mas as pessoas muitas vezes costuma confundi-las. Embora esses termos estejam relacionados, eles não são a mesma coisa. Aqui está um olhar mais atento sobre o que são e como eles trabalham juntos para preparar as crianças para ler.

Consciência fonológica

A consciência fonológica engloba muitas habilidades (E uma delas é consciência fonêmica!). Não se baseia na linguagem escrita - as crianças desenvolvem a consciência fonológica ouvindo. Quando as crianças têm este conjunto de habilidades, elas são capazes de ouvir e "manipular" os sons da linguagem oral. É a base para aprender a ler.

A consciência fonológica inicial ocorre no nível de palavras e sílabas. Você sabe que uma criança está apta a isso se ela consegue bater palmas para cada palavra em uma frase ou pular para cada sílaba do seu nome (Fa – bi – a- na). E também se ela consegue reconhecer e apresentar palavras que rimam ou que tenham o mesmo som inicial.

Você pode aprimorar as habilidades iniciais de uma criança lendo certos tipos de livros infantis para ela. Os livros que ajudam a enfatizar a rima, a aliteração (usando consoantes semelhantes), frases repetidas e padrões previsíveis.

Uma vez que as crianças têm uma forte consciência de como a linguagem oral funciona ao nível das palavras e sílabas, elas podem começar a se concentrar nas unidades menores de som. Isso é conhecido como consciência fonêmica.

Consciência fonêmica

A consciência fonêmica geralmente é a última das habilidades de consciência fonológica a se desenvolver. Quando as crianças têm essa habilidade, podem ouvir e "manipular" as menores unidades de sons (fonemas) em palavras e sílabas.

As duas habilidades de consciência fonêmica mais importantes são a segmentação e a síntese. Segmentar é dividir uma palavra em seus sons individuais. Síntese é dizer uma palavra depois de cada um de seus sons serem ouvidos.

Se uma criança consegue segmentar, ela pode dizer p-e-i-x-e depois de ouvir a palavra peixe. Se ela consegue fazer síntese, ela pode consegue dizer a palavra peixe depois de ouvir os sons individuais p-e-i-x-e.

As crianças precisam dessas habilidades para aprender a conexão entre sons de palavras e letras ou palavras escritas. Muitas crianças que estão em risco para problemas de leitura ou que têm uma deficiência de leitura têm dificuldades com consciência fonêmica. Um bom programa terapêutico fonético pode ajudar.

Fonética

O ensino da fonética auxilia as crianças a conectarem letras com sons, quebrar palavras em sons e sintetizar sons em palavras. As crianças usam esse conhecimento para se tornarem leitores e escritores. As escolas geralmente ensinam essas habilidades desde o jardim de infância até o segundo ano do ensino fundamental.

Os programas fonéticos mais eficazes são muito estruturados. Eles seguem uma ordem de instrução clara e passo a passo. Eles também usam vários sentidos para ajudar as crianças a aprender. Por exemplo, as crianças podem usar seus dedos para escrever uma letra na caixa de areia enquanto fazem o som associado a essa letra. (Esta abordagem estruturada multisensorial é usada em programas baseados em Orton-Gillingham, considerado o padrão ouro para ajudar as crianças com problemas de leitura.)

As boas aulas de fonética começam com uma revisão de sons previamente ensinados. Em seguida, um novo som é introduzido. Os alunos são informados, por exemplo, de que a letra “b” representa o som /b/ como a bola.

Atividades de soletração usando esse novo som, vem em seguida. Ser capaz de decodificar texto com os sons previamente aprendidos - mais o novo som – são atividades desenvolvidas em seguida.

A consciência fonológica, a consciência fonêmica e a fonética são construídas umas nas outras. Há maneiras de ajudar uma criança a desenvolver essas habilidades antes mesmo de chegar à escola primária.

Pais: se o seu filho tiver problemas com essas habilidades de leitura precoce, você deve considerar uma avaliação fonoaudiológica. Compreender seus problemas com a leitura permitirá que você obtenha o melhor suporte possível.

Fonoaudiólogo: Se você percebe que uma criança apresenta problemas com essas habilidades, nunca esqueça de agregar instrumentos padronizados na sua avaliação fonoaudiológica! 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Problemas com a sequenciação de tarefas: o que você precisa saber


Imagine isso. O seu filho de 10 anos de idade com dificuldades em funções executivas foi ensinado a arrumar a mesa do jantar muitas vezes. Mas cada noite tem dificuldade em decidir o que colocar primeiro e onde cada coisa vai.

Quando ele faz problemas de matemática, ele não consegue seguir a "ordem" específica das etapas para resolvê-los corretamente. E quando ele tenta falar sobre o dia da escola, sua história é confusa e difícil de seguir.

O que está acontecendo? Como muitas crianças com problemas de aprendizagem e atenção, seu filho pode ter problemas com o sequenciamento.

Sequenciamento é a capacidade de organizar linguagem, pensamentos, informações e ações em uma determinada ordem para fazer as coisas. Sem essa habilidade, é difícil concluir tarefas corretamente. E muitas vezes é o motivo pelo qual algumas crianças não conseguem seguir as instruções.

Sequenciamento e problemas de linguagem

A linguagem é a primeira coisa que as crianças aprendem a sequenciar. Elas sabem que, quando usam palavras e sons em uma determinada ordem, obtêm determinados resultados.

Por exemplo, "Eu quero leite" recebe algo para beber. Por outro lado, "leite quer eu" não será tão eficaz. Ao longo do tempo, aprender a ordem da linguagem falada treina o cérebro para que ele possa sequenciar outros conceitos e ações.

A maioria das crianças com problemas de sequenciamento apresentam problemas com o idioma falado no início. Elas podem ser lentas para conversar. Elas podem usar as formas das palavras erradas - "Eu desejei a loja", por exemplo. E mais notavelmente, elas podem misturar a ordem e pensamentos das palavras quando falam: "Mãe ontem na loja foi e depois eu consegui uma bola".

Problemas com a linguagem sequencial podem criar problemas futuros. Sem essas habilidades iniciais, as crianças têm dificuldade em desenvolver uma sensação natural de como outras coisas devem ser ordenadas. Por exemplo, eles podem não simplesmente "saber" colocar o guardanapo antes de colocar o garfo em cima dele ao arrumar a mesa.

Sequenciamento e problemas de memória de trabalho

Problemas de linguagem não são o único motivo para problemas com as tarefas de sequenciamento. Problemas de memória de trabalho fazem com que algumas crianças percam a ordem adequada para fazer as coisas.

Memória de trabalho é uma função executiva. Isso nos permite segurar novas informações enquanto estamos no meio de uma atividade. Por exemplo, a memória de trabalho ajuda as crianças a lembrar a ordem e o número de etapas em um problema de matemática. Ou uma lista de tarefas que elas foram convidadas a fazer.

Muitas crianças com problemas de aprendizagem e atenção têm problemas com a memória de trabalho. Isso sozinho pode dificultar a sequência. Mas a maioria das crianças com desafios de sequenciamento tem problemas com a memória de trabalho e com o idioma.

Considere o seguinte pedido: "Por favor, traga à mesa o leite e a colher de sopa que está na gaveta". Faltando um sentido natural para determinar sequências, uma criança pode trazer a colher e depois retornar pelo leite. Ou pode ficar paralisada porque não sabe por onde começar.

Adicione a isso uma questão de memória de trabalho, e ela pode esquecer o leite, por exemplo. Parece que ela não "seguiu instruções", e seus pais certamente ficarão frustrados.

Outras razões para problemas de sequenciação

Nem todas as crianças que têm problemas para seguir instruções ou completar tarefas têm problemas de sequenciamento. Problemas de atenção podem tornar difícil para as crianças se concentrarem no que elas estão sendo informadas. Como resultado, elas podem não saber o que fazer ou podem apenas fazer o que foi solicitado. Elas também podem se distrair ao fazer o próprio trabalho.

Outras crianças podem realmente ter problemas de linguagem receptiva. Crianças com essas questões podem ter problemas para entender o que os outros estão dizendo. Eles podem perder o significado de palavras básicas de "conceito" como "sobre", "debaixo" e "ao redor".

Como você pode ajudar

Um primeiro passo importante é providenciar um relatório da escola e uma avaliação com um fonoaudiólogo e um neuropsicólogo. Dessa forma, você saberá se os problemas do seu filho se devem a problemas de sequenciamento ou a outra coisa. Se é um problema de sequenciamento, você descobrirá o que está por trás disso. Isso pode incluir problemas com linguagem, memória de trabalho ou atenção.

Se o seu filho é elegível, converse com a escola dele. Seu filho pode precisar de uma terapia com foco em linguagem com um fonoaudiólogo. Ele também poderá precisar de acomodações específicas como ter instruções das aulas escritas e tempo prolongado em provas.

Se o seu filho não é elegível, existem outras formas de obter ajuda na escola. Mantenha sempre um diálogo com a escola!

Há muito que você pode fazer em casa também. No início, incentive seu filho a participar de atividades que envolvam sequenciação. Isso inclui atividades culinárias (seguir uma receita), etapas para ajudar a lavar um carro ou plantar no jardim.

Fale em cada atividade como você faz isso. Então, peça ao seu filho que explique o que ele fez primeiro, segundo, terceiro e assim por diante. Leia ou assista a TV juntos e então incentive-o a contar a história de volta para você. Se ele não conseguir um começo claro, meio e final, ajude-o a colocá-lo em ordem.

As crianças mais velhas podem se beneficiar de organizadores gráficos. Essas ferramentas podem ajudá-las a praticar contando e escrevendo histórias que possuem todos os elementos-chave na ordem correta. (Você pode encontrar organizadores gráficos on-line, ok?).

Quanto mais você entender o motivo dos problemas de sequência do seu filho, melhor você poderá ajudá-lo. Saiba mais sobre problemas de linguagem e como a memória de trabalho está ligada à atenção. E trabalhe com o professor para encontrar estratégias que possam ajudar seu filho em sala de aula e com a lição de casa.

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